Para especialistas, transporte coletivo tem de ser protagonista no planejamento urbano

Fonte CONUT - 07/10/2019 - 13h21min
Para especialistas, transporte coletivo tem de ser protagonista no planejamento urbano

 Não são as avenidas, nem os arranha-céus, nem as praças e parques que definem para onde e como uma cidade deve crescer. Grandes centros cada vez mais focam seus olhos na infraestrutura de transporte coletivo para definir como vão expandir sem impactar a qualidade de vida de seus moradores.

 
Clarisse Linke, diretora executiva do Instituto de Políticas de Transporte e Desenvolvimento (ITDP Brasil), defende esse papel de protagonismo do transporte coletivo no planejamento urbano: “A gente considera que o tema precisa ser entendido não só como eixo estruturante. É a partir da infraestrutura de transporte coletivo que tem de ser pensado o planejamento. Muitas vezes se fala na expansão da rede de transporte, e não se pensa em adensar a cidade em torno da rede já existente”.
 
Para Roberta Marchesi, diretora executiva da Associação Nacional dos Transportadores de Passageiros sobre Trilhos (ANPTrilhos), é preciso entender o transporte coletivo como fator preponderante na gestão do tempo dos moradores de um grande centro urbano: “Quando a gente pensa na vida da cidade, na qualidade de vida que o cidadão vai ter, o transporte é um dos principais fatores que permitem a ele a gerência do tempo, o que está inteiramente ligado à qualidade de vida. Quanto menos tempo ele gastar parado no trânsito, mais terá tempo para usufruir de outras atividades”.
 
Eficiência e preservação do meio ambiente estão entre as vantagens da aposta nos trajetos feitos em trens, metrôs, ônibus e outros modais. “É o deslocamento mais eficiente quando se olha para o espaço ocupado por passageiro, a emissão de gases do efeito estufa por passageiro”, afirma Clarisse.
 
Os números confirmam a declaração da especialista. Uma única linha de um trem metropolitano, por exemplo, tem capacidade para 60 mil usuários por sentido a cada hora, enquanto uma faixa de circulação de uma rodovia tem condições de receber 1,8 mil pessoas em carros de passeio nesse mesmo tempo.
 
Um caminho para que o transporte coletivo ganhe em qualidade é a integração dos sistemas. Diversos modais devem estar interligados para que o usuário faça deslocamentos rápidos e confortáveis. O Brasil ainda engatinha nesse aspecto, especialmente se considerarmos que o sistema deve levar em conta, também, os chamados transportes ativos, que incluem trajetos feitos a pé e de bicicleta, entre outros. “O sistema de mobilidade tem tipologias diferentes de modais. Longa distância, curta distância, baixa e alta capacidade. Tudo isso tem de estar bem azeitado, com integração da infraestrutura física e qualidade urbana do entorno para caminhar. Sabemos, por exemplo, que o lugar que as mulheres se sentem mais inseguras é o entorno dos pontos de ônibus. Temos, então, de tornar essa caminhada até o ponto mais segura para que se tenha a integração do trajeto a pé com o transporte coletivo. A lógica tem de ser de porta a porta”, explica Clarisse.
 
Déficit de transporte sobre trilhos
 
Para buscar a melhoria no transporte coletivo, investir em alternativas sobre trilhos é essencial. Metrôs e trens transportam grande quantidade de passageiros de forma rápida e eficiente.
 
No Brasil, porém, há enorme déficit nesse quesito. O país tem 28 regiões metropolitanas com mais de 1 milhão de habitantes. Entre elas, somente 13 têm sistemas de transporte de passageiros sobre trilhos. Um dos entraves é a falta de investimento: “Em termos de tecnologia, o Brasil está muito bem posicionado, mas em termos de investimento estamos muito mal. Passamos muitos anos sem investir em transporte sobre trilhos. As grandes regiões metropolitanas já deveriam ter atentado para isso há muito tempo, de forma integrada com outros corredores para formar uma rede inteligente e integrada”, afirma Roberta.
 
Uma saída pode estar em modelos de concessão e de Parcerias Público-Privadas (PPPs). Exemplos como o metrô de Salvador e a Linha 4-Amarela de São Paulo, em que a iniciativa privada assume a gestão e, no caso baiano, até mesmo o investimento em infraestrutura física do sistema, mostram que a falta de alternativas de transporte sobre trilhos nas grandes cidades brasileiras pode ser superada.
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