Santos Dumont perde 80% dos voos durante obra

Fonte CONUT - 13/08/2019 - 14h19min
Santos Dumont perde 80% dos voos durante obra

As obras na pista principal do Aeroporto Santos Dumont, no Centro do Rio, que começam no próximo dia 24, vão resultar em maior impacto ao passageiro que há dez anos, quando foi realizada manutenção similar. Por questões de segurança, mudanças na legislação reduziram o limite do porte dos aviões que podem operar a partir na pista secundária do aeroporto. Com isso, mais de 80% dos 260 voos do terminal serão transferidos para o Galeão, na Zona Norte. A Latam não tem aeronave em sua frota habilitada para pousar na via auxiliar do Santos Dumont durante os 29 dias de obra. A Gol tem aviões que se encaixam nos parâmetros, mas decidiu não mexer em sua malha de voos. Já a Azul vai manter metade dos voos no Santos Dumont, incluindo a estreia na ponte aérea Rio-São Paulo, anunciada ontem.

 
Com as duas maiores levando voos para o Galeão, o Santos Dumont deixará de receber cerca de 200 pousos diários.
 
—As regras de segurança estão fora do controle das companhias aéreas e dos aeroportos, pois são determinadas pelo regulador, revisadas periodicamente, seguindo normas internacionais, o que está correto. Se, dez anos atrás, o Santos Dumont dava conta de certos tipos de avião na pista secundária e agora não dá mais, isso tem a ver com os limites de expansão física do aeroporto, a evolução das frotas de aviões das empresas e da legislação —explica Guilherme Amaral, sócio da área de Direito Aeronáutico do ASBZ Advogados.
 
Ele vê na entrada da Azul na ponte aérea Rio-São Paulo no momento em que Latam e Gol vão transferir seus voos para o Galeão uma boa estratégia para reduzir o domínio das duas:
 
— Durante a obra, quem quiser voar entre Santos Dumont e Congonhas terá que usar a Azul. Vai esquentar a briga pelo passageiro. Isso poderia levar a Gol a rever sua decisão. Já a Latam está mais imobilizada pela frota.
 
A Gol informou que vai manter a transferência para o Galeão. A obra de manutenção das pistas é realizada periodicamente, com validade aproximada de dez anos. Em 2009, a reforma foi mais longa, de 21 de setembro a 30 de novembro, segundo a Infraero, operadora do aeroporto. Naquele período, como será agora, a pista auxiliar foi utilizada para pousos e decolagens, observando as limitações técnicas.
 
PISTA MAIS ESTREITA
 
Na época, diz a Infraero, Gol e Latam mantiveram no aeroporto apenas a ponte aérea, transferindo os demais voos para o Galeão. Desta vez, aviões de maior porte, listados na categoria 4C pela Agência Nacional de Aviação Civil (Anac), como o Airbus 319 e o Boeing 737-800, usados por Latam e Gol na ponte aérea, respectivamente, não se encaixam mais nos critérios para utilizar a pista auxiliar, que tem 30 metros de largura.
 
É que, logo após a obra de 2009, foi estabelecido que essas aeronaves só devem operar em pistas com 45 metros de largura. A principal do Santos Dumont tem 42 metros, mas foi autorizada a receber os aviões porque sempre operou com modelos 4C. Porém, para manter a tolerância, o aeroporto tem de comprovar regularmente à Anac que mantém níveis altos de segurança.
 
Em março deste ano, entrou em vigor nova revisão da regulação feita pela Anac, alterando o processo de aprovação de obras por análises de segurança operacional para entrar em conformidade com padrões internacionais. Isso levou ao adiamento da obra da pista principal, para que a auxiliar passasse antes por mudanças e ficasse apta a receber aviões de categoria 3C, como o A318, o Boeing 737700 (que está na frota da Gol) e o Embraer E195 (da Azul).A intervenção foi pedida por empresas que atuam no Santos Dumont, a Azul entre elas.
 
—As mudanças são previamente discutidas entre regulador, aeroportos e empresas. Segurança é prioridade, e a obra é mandatória. Dentro das limitações técnicas, cada empresa decide, de acordo com sua frota e malha, como vai atuar. O mercado mudou. Ficou mais difícil deslocar aviões e mudar a malha de voos temporariamente — diz Ronaldo Jenkins, executivo da Associação Brasileira de Empresas Aéreas (Abear).
 
A dificuldade vem do fato de as empresas voarem com aviões maiores e cada vez mais cheios. Entre 2009 e 2018, o número de decolagens no Santos Dumont subiu cerca de 23%, segundo a Anac. Neste período, o número de passageiros pagantes saltou 78,8%, e a ocupação dos aviões foi de 55,5% para 73,7%. Em junho deste ano alcançou 77,1%.
 
Atualmente, quatro aéreas operam no Santos Dumont: Latam, com 43,9% dos voos; Gol, com 34,5%, Azul, com 20,4%; e Passaredo, com 1,2%.
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